A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou, na manhã desta quarta-feira (5), uma ofensiva estratégica para cumprir dezenas de mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV). A ação tem como foco principal um braço da organização criminosa que se especializou no roubo e receptação de automóveis na capital fluminense, com base operacional na comunidade Fallet-Fogueteiro, situada na região central da cidade.
Combate ao roubo de veículos e desarticulação financeira
A investigação, conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP), revelou que o grupo criminoso intensificou a prática de roubos em bairros como Santa Teresa, Centro e Grande Tijuca. O objetivo da facção era fortalecer seu poder econômico através do abastecimento de desmanches clandestinos e do comércio ilegal de peças automotivas, alimentando um ciclo de financiamento para outras atividades ilícitas.
Embora a investigação tenha sido iniciada com foco no tráfico de drogas, o monitoramento da mancha criminal apontou uma divergência preocupante: enquanto os índices de roubo de veículos apresentavam queda em outras regiões da cidade, o entorno da comunidade Fallet-Fogueteiro registrava um aumento expressivo. Até as 11h, oito pessoas já haviam sido presas pela força-tarefa, que conta com o suporte de delegacias especializadas e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
Inteligência policial e a Operação Contenção
A ação desta quarta-feira integra a Operação Contenção, um esforço contínuo iniciado em 2025 para desarticular a estrutura logística e financeira do Comando Vermelho. O êxito na obtenção dos mandados de prisão preventiva foi resultado de um trabalho técnico de inteligência, que incluiu o cruzamento de dados, análise minuciosa de imagens e diligências de campo fundamentadas pela Justiça.
Desde o início da Operação Contenção, as autoridades fluminenses contabilizam números expressivos no enfrentamento ao crime organizado. O balanço oficial aponta a prisão de 370 suspeitos e a apreensão de cerca de 480 armas, das quais 190 são fuzis. A iniciativa representa a continuidade de uma política de segurança focada na asfixia financeira das facções que dominam diversas regiões do estado do Rio de Janeiro.