A morte do cão Poze, conhecido nas redes sociais como um dos “frentiscães” de Campinas, ganhou contornos de disputa judicial e acusações graves entre seus tutores e proprietários de um camping na Patagônia argentina. O animal, que viajava em um trailer com a família, desapareceu no dia 12 de junho em El Bolsón, gerando uma mobilização que terminou com a confirmação de seu óbito em 19 de junho.
Contradições sobre o desaparecimento de Poze
Os proprietários do camping Chacra Wharton, local apontado pela família como o cenário do ataque, negam veementemente qualquer participação na morte ou na ocultação do corpo do animal. Mariana, uma das responsáveis pelo estabelecimento, afirmou que suas cadelas, que protegem o rebanho da propriedade, correram atrás de um cão na noite do ocorrido, mas ressaltou que não há confirmação de que se tratava de Poze.
Em declarações prestadas ao g1, a proprietária sustentou que não houve tentativa de esconder evidências. Segundo ela, o camping não possui armas de fogo e a família brasileira teria se baseado em boatos para formular as acusações que circulam nas redes sociais.
Acusações de ameaça e ocultação
O tutor do animal, Giovanni Fernandes, mantém uma versão oposta e contundente. Ele alega que o proprietário do terreno teria confessado a terceiros que suas cadelas mataram o cão e que o corpo não seria localizado. A situação teria escalado para um confronto direto, no qual o tutor afirma ter sido ameaçado com um revólver ao questionar o responsável pelo camping.
A família brasileira, que já retornou ao país, reforça que buscará medidas judiciais para esclarecer o ocorrido. Para os tutores, a dor da perda é agravada pela impossibilidade de realizar um luto adequado e pela sensação de que foram impedidos de tentar salvar o animal devido à conduta dos proprietários do local onde estavam hospedados.
Trajetória do cão influencer
Poze tornou-se um fenômeno na internet após ser adotado em um posto de combustíveis no Jardim Novo Campos Elíseos, em Campinas. O animal, que vivia nas ruas, ganhou uniforme e coleira, passando a integrar uma “equipe” de cães que somam mais de 1,1 milhão de seguidores em perfis dedicados à rotina dos pets.
A fama dos animais, batizados com nomes de artistas do trap e do funk brasileiro, como Matuê e Nagalli, transformou a rotina dos cães em conteúdo viral. A viagem à Argentina, que deveria ser um momento de lazer, terminou em uma investigação sobre a responsabilidade pela segurança dos animais em áreas rurais da Patagônia.