O mercado físico do boi gordo apresentou um movimento de valorização na última semana, com a arroba registrando uma alta de 4,5% em praças estratégicas. O cenário foi impulsionado pela necessidade dos frigoríficos de alongar suas escalas de abate, que enfrentam restrições de oferta no campo. No entanto, analistas apontam que esse patamar de preços pode não se sustentar diante de uma demanda interna e externa ainda fragilizada.
Dinâmica da arroba do boi gordo no mercado físico
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, a escassez de oferta imediata forçou as indústrias a elevarem os valores pagos pela arroba para garantir o abastecimento das linhas de produção. Em São Paulo, por exemplo, o valor atingiu R$ 345, representando um avanço de 4,55% em relação à semana anterior. Outras regiões, como Minas Gerais e Rondônia, também acompanharam a tendência de alta, com variações positivas de 3,23%.
Apesar da valorização, o setor lida com um ambiente de incertezas. A pressão sobre os frigoríficos é agravada pela ociosidade das plantas, o que levou diversas unidades a anunciarem férias coletivas. O equilíbrio entre a necessidade de compra e a capacidade de repasse dos custos ao consumidor final permanece como o principal desafio para a sustentabilidade desses preços no curto prazo.
Desafios no mercado atacadista e concorrência
O mercado atacadista de carne bovina não acompanhou a alta da matéria-prima, mantendo preços estáveis ou com viés de baixa. A segunda quinzena do mês, historicamente marcada por um menor apelo ao consumo, tem dificultado a fluidez dos negócios. Além disso, a carne bovina enfrenta uma perda de competitividade frente a proteínas mais baratas, como a carne de frango, que atrai o consumidor em momentos de orçamento mais restrito.
Os dados do atacado refletem essa pressão: o quarto traseiro, peça de maior valor agregado, registrou um recuo de 1,92%, sendo cotado a R$ 25,50 por quilo. O quarto dianteiro, por sua vez, manteve-se estável em R$ 19 por quilo. Essa disparidade entre o custo do boi vivo e o valor da carne no varejo limita a margem de manobra das indústrias.
Impacto da demanda externa e exportações
O cenário internacional também traz sinais de alerta para a pecuária nacional. O ritmo de embarques tem apresentado arrefecimento, influenciado pelo esgotamento precoce da cota chinesa, um dos principais destinos da carne brasileira. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), embora o preço médio da tonelada exportada tenha subido 15,1%, a quantidade média diária exportada recuou 10,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Com a demanda externa menos aquecida e o mercado interno acomodado, a tendência é de que a pressão altista sobre a arroba perca força nas próximas semanas. O setor segue monitorando o comportamento dos estoques e a disposição dos frigoríficos em manter as escalas de abate, fatores que serão determinantes para a formação dos preços no próximo ciclo de negociações.