A Cachoeira do Tabuleiro, localizada em Conceição do Mato Dentro, teve suas atividades suspensas novamente por determinação judicial. O fechamento do poço principal e das áreas adjacentes ocorre apenas seis dias após a reabertura do ponto turístico, que havia permanecido inacessível ao público por quase cinco anos devido a preocupações com a estabilidade geológica.
A decisão atende a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apontou o descumprimento de cláusulas de segurança estabelecidas em um acordo firmado em dezembro de 2025. Segundo o órgão, a reabertura foi precipitada, ignorando exigências cruciais para a proteção dos visitantes contra riscos naturais.
Exigências técnicas e falhas no monitoramento
A ação judicial destaca que diversas medidas preventivas não foram implementadas conforme o planejado. Entre os itens pendentes estão a instalação de uma estação meteorológica e pluviométrica, essencial para o alerta precoce de trombas d’água, e a criação de um sistema de monitoramento sísmico permanente.
Além disso, o Ministério Público ressaltou a necessidade de acompanhamento contínuo dos pontos críticos do paredão rochoso e a atualização do plano de manejo do parque. A documentação técnica analisada indicou que a certificação de segurança apresentada pelas autoridades locais cobria apenas a área onde houve intervenção para remoção de blocos, deixando desprotegidos setores classificados como de alto e médio risco.
Isolamento e medidas de controle
A determinação da Justiça impõe o isolamento físico de um raio de 500 metros ao redor da queda d’água. O acesso à área está estritamente proibido, sendo permitido apenas para equipes técnicas devidamente autorizadas que realizam atividades de manutenção e monitoramento.
Para garantir o cumprimento da ordem, foi fixada uma multa diária de R$ 1 mil, com limite inicial de R$ 10 mil, caso a interdição seja desrespeitada. O município deve agora comprovar a execução integral das obrigações assumidas para que uma nova reabertura possa ser futuramente discutida.
Contexto de riscos geológicos
Com 280 metros de altura, a Cachoeira do Tabuleiro é reconhecida como a maior queda livre de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil. O histórico de interdições remonta a 2021, quando o desprendimento de um bloco rochoso acendeu um alerta sobre a segurança do local.
Desde aquele incidente, vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros e especialistas em geologia reforçaram a necessidade de medidas rigorosas. A persistência de riscos hidrológicos e geológicos continua sendo o principal entrave para a exploração turística segura do paredão, que exige vigilância constante para evitar acidentes.