A Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP) abriu o processo seletivo para a segunda edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone). O programa oferece formação gratuita em cibersegurança, suporte psicossocial e orientação jurídica, com o objetivo de articular e proteger mulheres negras, indígenas e quilombolas contra a violência online na América Latina. As interessadas podem realizar a inscrição por meio de um formulário online até o dia 5 de agosto.
A iniciativa ganha relevância ao coincidir com as celebrações do Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, cujo ponto alto ocorre em 25 de julho. Segundo Marcelle Chagas, coordenadora geral da Rede JP e idealizadora do projeto, a expectativa é ampliar o alcance da rede, garantindo que a oportunidade chegue a lideranças de diferentes territórios para fortalecer a diversidade e a conexão entre essas profissionais.
Fortalecimento da segurança digital e resposta a crises
O ambiente digital tem se tornado um espaço complexo e, frequentemente, hostil para mulheres negras que ocupam posições de visibilidade pública. A formação da Repcone busca desenvolver a capacidade de resposta e resiliência diante de ameaças, assédio online e campanhas de desinformação. A prioridade na seleção será dada a mulheres que atuam em contextos de invisibilidade estrutural e que enfrentam riscos elevados devido à sua atuação pública.
O programa é estruturado em quatro frentes principais de atuação: aulas virtuais sobre proteção de dados e enfrentamento à desinformação, suporte psicossocial e jurídico, protocolos de resposta rápida para ataques coordenados e o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica. As atividades incluem encontros via Zoom, com acessibilidade em Libras e tradução para português e espanhol, além de oficinas presenciais no Rio de Janeiro e no Peru.
Inovação com o lançamento da plataforma Latinas IA
Como parte da expansão do projeto, a Rede JP introduz o Latinas IA, um agente digital projetado para oferecer suporte 24 horas a mulheres em situação de vulnerabilidade. A ferramenta atua como um ambiente integrado de orientação, conectando usuárias a fontes verificadas e conteúdos de checagem. O sistema está em fase de aprimoramento contínuo para atender às realidades linguísticas e culturais das mulheres que defendem a democracia na região.
Impacto e continuidade da rede de proteção
A Repcone surgiu em 2025, fruto de um processo de escuta ativa entre Brasil, Argentina e Colômbia, consolidando-se como uma resposta à violência digital que busca afastar mulheres negras dos espaços decisórios. A primeira edição do programa contou com 50 participantes e alcançou uma estimativa de 17,1 milhões de pessoas. Em dezembro de 2025, a rede publicou a cartilha Repcone, um guia prático que reúne protocolos de segurança e orientações para o cuidado com a saúde mental, reforçando o compromisso com a democratização do conhecimento.